sábado, 19 de julho de 2008

O Dom Supremo

Estar enamorado, tão estranho parecera. Remotos tempos reviviam lembranças vívidas, porém não tão promissoras. Quisera eu tentar esse Dom, mas o criador haveria me negado, renegando o sentimento, me deixando no tormento da fria solidão. Esculpido em tantos, em mim nem pequeno entalhe, encharcado em outros, em mim nem gota, Lume em muitos, em mim nem lodo. Desesperançoso, a ponto de não mais querer, eis que a fagulha divina colocou em minha vida toda pura de luar. Divindade promissora, que vive a pescar os entristecidos pedaços quebrados dos desalmados. E que glória poder dizer que agora sinto pela primeira vez a brisa que assim como o vento voa pra outro lugar. Não sabe se vai voltar, mais a mim não há de deixar, consigo vai me carregar. Por outros lampejos vi os olhos, por outras bocas, senti a gosto, por outras vidas eu vi de perto, mas foi nessa que encontrei. Que seja lembrança num dia distante, se faça bem querer quando um de nós não mais houver, que seja doce e eterna, mas que hoje seja minha mulher. Se vida ensina sou aluno, tentando ser o primeiro da classe, aprendendo com vontade, a arte de lhe fazer amada. A vida entra agora em mim, o medo não mais me acompanha, busquei, procurei, encontrei, minha vida agora é plena. Que palavras vazias saídas de mim, que sentido elas podem ter, a não ser poder mostrar, que tu és meu bem querer. Que nada mais me importe agora, que minha palavra seja sincera, que o vento que passou por mim agora, leve meu perfume a ela. Do fundo do coração, amor maior não há de haver, nem carinho e nem devoção, de outras mãos preciso ter. Calo minha voz nessas linhas e que bem quistas a ti sejam, que te confortem na minha ausência, quando nossas bocas não se beijam. Que o amor seja constante, que Deus olhe por nós, o carinho do amor, faz de mim um homem melhor.


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