sexta-feira, 30 de julho de 2010

Virgo

As vestes alvas, esvoaçadas, tal qual as madeixas, decoradas com margaridas amarelas feito o sol. Radiante, iluminando tudo e tudo refletia em gesto de gratidão por tamanho apreço.

Virgo...
Que mais perto és do criador, mais que qualquer ascendência. Perto de ti todos se elevam para que possa se elevar ainda mais. Os que te rodeiam vêem que seus pés quase não tocam mais a grama, ignoras as leis da física, pois a sua lei é ainda maior.

Nos mitos antigos, respondia por ninfa, homenageada nos ritos de colheita e fertilidade, pois todos em ti bebem a essência.

Um instante é o necessário. Um olhar, um sorriso, um acenar de mãos revigora o íntimo, acariciando sem tocar, beijando de longe... sentindo. Intensificando as intensidades, o resgate no limiar da sanidade, receio não há por perder o juízo, pois, que devaneios mais saborosos tem-se por esses lados.

Gratidão pela devolução dos sonhos, se dá e dará continuamente, pois não se pode parar de agradecer. Talvez impossível fosse gozar da plenitude, sem o odor trazido pela brisa morna que tocou seu rosto. Os acordes desses sonhos, sustentáculos dos pilares da babilônia que ruiu, sendo, não como ela, teimam em permanecer firmes, por ti, ó virgins mitológica.

Nos espaços siderais, Denébola é sua estrela, mercúrio é seu regente, mas, seus pés ainda aqui estão na terra... Talvez, por nós, por mim, talvez. A busca da perfeição constante resplandece e ofusca o mal que em ti não pode chegar, pois, bondade tamanha exonera-os por fim, assim.

E a todos amansou, desde o grifo ao centauro, do pegáso a ciclope, desmistificando-os. Eu elevaria meus pensamentos aos montes 70 vezes 7, se fosse preciso, por ti. E coisas ruins expurgadas foram uma a uma, enquanto Lilith sucumbia os homens ao inferno, ó angélica, conduz-me pela mão aos céus...

Uma tenda em Quedar

Uma tenda de quedar,
Com véus, incensos, velas,
Citaras, tambores, amores
E tudo q vinha de lá
As ondas
Do som, do mar, da imaginação
A cor
Dos olhos, do céu, do bom
O cheiro
Do perfume, do cabelo, da brisa
O amor
Do peito, da vida, do coração
Abnegação dos sentidos
Abstração dos sentimentos
Satisfação da carnavalia
A emoção da matéria
E lá? Quem vem já?
Sob cavalo branco
Com vestes de pano santo
Não tardou, pois era hora de chegar

Significado póstulo

A melodia, preenchendo todos os poros daquele recinto. Sorte, por aspirar imaginar o resquício de felicidade. Fidelidade, a todos os instintos aflorados saltando da pele, Parda, porque diferente não haveria de ser. Fosse, o que fosse, mas seja. Sempre, tudo de rimas, métricas, harmonia. Da harpa, fio sutil, solitário companheiro de jornada sem passos, caminhos sem laços, acasos sem nexo, chuvas sem gotas de mares sem fim. Surreal, como o que germina, do íntimo, facilidade exprime e experimenta discurso emudecido, se surpreende com platéia de um só ente, pois era só o que carecia. Grato, pela lição de outrora, ofertada por outrem, esculpindo significado postulo, complexo, completo, inteligível, codificado, compilado, ansiando ser desvendado.

Providência divina

Então chamaram de providência divina, naquele recinto de pessoas díspares entre si, a resposta ao chamado proferido em silêncio. Emergencial por suposto, ou não mais prolixo que o estreito fio separador da sanidade e a alienação? Deveriam, pois, desde tenra idade, exercitar a fé, em conjunto com as outras faculdades motoras e intelectuais. Tal qual disciplina acadêmica sendo parte de uma grade curricular. E do amor? Desse falo pouco, talvez nada. Não hoje, não agora...

Pensador pensando pensar no tempo

Arqueiros do norte, flechas de pontas
De marcas profundas, da boca que canta
Melodia em silêncio, ecoado sonido
Do longe se ouve, provendo martírio

Do sul se levanta escudo de bronze
Austero viajante, sereno semblante
Pensador pensando pensar no tempo
Sem resolução, da aurora até firmamento

D’água então reflexo surgiu
Amargoso sabor nos olhos sentiu
E fitava em constância, ali parada
Intentava mas não compreendia nada

Cerrando os olhos, virando de costas
Marchando parado, voltando pra casa
Descartando saber o que anseia aprender
É de veludo o toque que destrói o ser

Do céu desejava compreensão
Sem vela habitava escuridão
Sem sentido o âmago se esvaia
No ultimo raio do sol que partia

Pelo sol

Hoje queria agradecer, por acordar do sono ruim, pelo sol tão bonito diante dos meus olhos. Pudera eu eternizar tudo isso, pra viver sempre no momento agora. Queria parar o mundo, só por um minuto, trazer a mulher mais especial pela mão, com olhos vendados, sentá-la na grama e descortinar, compartilhar. Quiçá eu morfaria o que sinto em mim, segurar em punho, colocar em um relicário e entregar com todo meu afeto, pra que se tornasse imortal. E esse sol... Alaranjado, obrigado meu Deus, como és generoso, tanto fazemos de errado e o bom Pai nos trás uma oferta inexplicável. Louco seria se não reparasse, se não deitasse no chão, se não olhasse pro céu, não imaginasse desenho em nuvens, de mãos dadas com ela. Ah ela, também é um presente, porque é pura luz. Mesmo que fosse cego, enxergaria sua beleza. És linda, por fora e por dentro. Mesmo quando calada, ainda me diz. Tanto sem proferir uma palavra, quando nem me olha, mas quando contempla comigo e agradece em silêncio... As crianças correndo, os pássaros cantando, os casais namorando, o verde da grama, a beleza das flores, um acorde melódico, uma voz suave, um canto alegre... Eu pedia um só momento, olhava de frente, uma boca carnuda, uma pele parda, um cabelo lindo, um sorriso largo e tão radiante e os olhos negros e brilhantes. De perto não pretendia mais sair, como se ali tivesse sempre ficado e fosse desde sempre parte de mim. E poderia querer pra sempre, porque o sempre era menor do que nós dois juntos.

Concebido em 08-01-09,ao som de Like a Star - Corinne Bailey Reae

Passos tímidos e lentos

Com passos tímidos e lentos
Caminhando em constante direção
Fitando com a condição do tempo
No labirinto da multidão

Um procurador a buscar contento
Brincando de esconde com a solidão
Vagando no serenoso relento
Aos olhos do mundo a dispersão

Sentou-se num banco, pensou no tempo
Em silêncio ouvindo o frisom
Ecoando amargou por um momento
Virtuosos caminhos de oração

O mal não fazia mais efeito
Havia outro algo bom
Mais tangível, mais concreto
Que um acorde de violão

Então sorria para o medo
Pro receio insistiu em dizer não
Indissolúvel união de longe vendo
Pra perto vai indo para ao fim dizer não

Nômade

Dito, fora ao vento
Salmos, hinos, a ecoar
Divagando, indo saudar o tempo
Na roda da vida, pra depois voltar

O que caminhava aqui e acolá
Ansiando, aprendendo, convivendo
Acumulando, assimilando experiências
Pra lhe trazer, pra lhe mostrar

Com os hidus cultuou Shiva
Com os yorubas, cantou pra Olorun
No japão, incensou para Buda
Nas leituras, dos livros, maçons

Entardecer, dos quatro cantos contemplou
A fonte de brotar da vida, a olhar
Nos céus, nuvens brancas, que tocou
Viu que ausente deveria ficar

Nômade, de cajado e sandália
Que caminhou no destino do sol
Experimentando toda iguaria
Voltou para o seio maior

Aspirando alma tardia
Que tardia em si não pode tonar
Por ser tão auto de onde estava agora
Do alto dos passos, do que era imaginário

A métrica da confusão
Dos sentidos tapados enfurnados na solidez
Do austero busto em mármore forjado
Rico, e pobre de amor e rigidez

Sutil linhas dúbias, todas
Aos intelectos são tão banais
Aos corações dialeto secreto
Inteligível por eles, e nada mais

Ainda não é mais o mesmo

Um nômade pagão em busca de respostas, e numa dessas buscas...

Contemplou o firmamento, vasto e infinito. Via-se sentado, olhava tudo do alto, com os braços apoiados nas pernas. Lembrava o passado, vivia o presente e sonhava o futuro. Não ansiava, nem temia, apenas sentia que algo por dentro mudava, como um ciclo que ao fim chegava. Outra etapa se iniciava, então pensava e divagava diante daquela chapada...

Com ela, de caráter reto e gestos nobres, aprendeu a ser forte. Presente ofertado ou pura sorte, tudo se transforma e não termina, para a essência não existe morte.

Naquele lugar onde passou um tempo, percebeu que todos eram iguais. Vinham sempre do mesmo lugar, e pra lá gostariam de voltar.

Apreciava uma particularidade, Tinha seus detalhes em mente, do brilho do olho ao branco do dente. Na sede buscou um rio, encontrou então sorriu, se agachou, bebeu e viu, o que a água refletiu.

Um vulto que ali estava diferente do que buscava, desprovido de apreço, porque narciso procura espelho. Imagem que aspira ver, esta que a ele busca também, não há de reconhecê-lo, pois ainda não é mais o mesmo.

Êxtase

Nos lençóis brancos de pele parda,
Sussurrando pulsar que se faz ofegante,
Entrecortando gemidos de suspiros calada,
A mistura do amor e do prazer veemente.

A meia luz, luz da janela, luz do teto,
Do dia, na noite, do reflexo,
O brilho, do sorriso, da pele, dos olhos,
A mordida, na boca, da louca, de desejo.

O carinho, carente de carícia,
De começo, devagar, delicado,
De muito, de tudo, delicia,
Aumentando, frenético, violento.

A carne, que pula entre os dedos,
O emaranhado dos cabelos,
O gosto, gostoso, saboroso,
Molhando tudo em explosão.

Um Gênio endiabrado, ou um Balrog venerado,
Abrindo a caixa de Pandora,
Usurpando o bendito chakra santo,
Possuindo o tudo e o agora.

Ensêjo

Complexidade atrativa e estranhamente curiosa
Pretexto presunçoso aspirando ser replicado
Quiçá, derradeiro de um altivo anseio
Que não há de consentir
Ensejo singular desapercebido passar

Do amor ao perdão

Do amor ao perdão
Da dor a rendição
do âmago a imensidão
os sonhos do coração

E pensamentos jogava ao vento
Não mais se importava com o tempo
Não com intenção de corteja-la
mas porque muito precisava

Deixar fluir invariamelmente
Com abstinência, sereno prosseguiu
Os pensamentos de sua mente
audácia e estúcia que nunca partiu

Transbordando, caindo pelas beradas
Aquilo que de melhor havia herdado
sem um outro, tornar-se-á nada
O que por eras tinha guardado

Cedo ou tarde

As coisas mudam;
O tempo passa;
As vidas se cruzam;
As pessoas se acham;

Quando perdemos algo;
As vezes faz sentido;
Pois aquilo que é nosso;
Nunca pode ser perdido;

As vezes adiamos;
Pensando estar certo ;
Afastamos do caminho;
Quem queríamos ter por perto;

Uma, duas, três vidas;
Quatro, cinco, seis ou sete;
O que tem ser vivido;
Cedo ou tarde acontece;

Ao divíno

E o divino despejava aquele balsamo reconfortante dentro de mim, porque coisas inimagináveis dele advindas, como se em mim sempre houvessem habitado, pois senti que de mim jamais saíram. Tal qual uma brisa, uma segunda pele, que vinha pra mim e saia de mim, ao mesmo tempo, norteando de forma aleatória, aquilo que outrora pude então dar nome de sonho, e por isso rendi graças, pois ainda podia sentir e entender a forma incompreendida dos desígnios do querer. Com acordes sustenidos, o pulsar que vinha do meu peito era felicidade plena, não entendia, mas deleitava e desejava que o fim disso fosse duelar com a indiferença, pois a crença se esvaia e ao tornar, agradecia.

Ainda lembro

Ainda me lembro...
Um sorriso avassalardor,
Dois braços cheios de amor,
Um cheiro familiar,
Seus passos a me guiar.
O outro, fronte decidida,
Ombro amigo a todo tempo,
Sorriso largo, grande alegria,
Conto com ele a todo momento.
Outros três com quem aprendi,
O significado de ser feliz,
me inspirei e muito do que sou,
No coração os carrego, sempre onde vou.
Naquela casa, onde 6 mãos seguravam a faca que cortava o bolo, com luzes apagadas e sorrisos estampados, onde lágrimas corriam mas só de alegria, onde nos reuniamos pra relembrar o porque estávamos ali, um cachorro branco e o outro preto, onde o sol raiava gostoso no fim de tarde, no lugar que se enxergava até onde a vista poderia alcançar, o cheiro de bolo e pizza no sábado a tarde, o cheiro de casa limpa todos os dias, a comida mais gostosa do que a mais gostosa do melhor mestre fances...
Ainda lembro...e nunca hei de esquecer.
Família, amo vocês

A tarde no solar

A magia da criação, a força da energia essencial e criadora, a fonte, a matriz de onde tudo provém pra onde tudo tornará...
Cíclico, redundantemente imutável, como solstício e equinócio, o dia e a noite. Um escurecer total, precedido de clareza pura e límpida. Regozijação a quem permeia paz, com retidão e serenidade, ansiando com a certeza inabalável, tudo que trouxe até o momento chamado AGORA...

Faz tempo q não saem essas coisas de mim, assim como se nunca houvessem existido, um presente que de mim brotou e em mim se encerrará... Tal qual flecha ungida em palavras de bom grado, que corre pelos céus tanto de noite quanto de dia, a fim de lhe fazer companhia, acertando em cheio os devaneios, pensamentos de receios que insistiam de ti se apossar.

Assim me concedeu Ele, mais sorte talvez que aquele, que só em si desejava ficar, mas de cá avareza não há, pois transborda a toda prova, seguindo sempre e tendo em mente, em espírito e em alma, elevação do pensamento que acalma só por um instante imaginar...

E nos quatro cantos, pessoas ouviam falar, das palavras que ressoavam aqui e acolá, todas vindas de um mesmo lugar, a evidencia tão transparente, talvez com ar inocente, mesmo no meio de tanta gente, passava desapercebidamente. Porque assim quisera ficar, fazendo questão da voz calar, ansiando, esperando sem hesitar, o exato momento de brotar...

Enfim coisas boas assim saiam... Em tudo que tocava, em tudo que fazia, pois, ali desamor não existia, quiçá lembraria, que um dia, indiferença ou injustiça, proferida com tanta desarmonia, tivessem abalado costume indesejado, advindo de íntimo amargurado que por si só se basta e se mantém...

Surge outrem, do leste como o sol, trazendo na bagagem vontade maior, que de muitas bocas palavras bem quis e que saíssem motivando sorrir, mas ao contrario foi o que se deu, outrem não abandonou sua jornada, peregrinando mesmo cansada em devaneios, delírios de calor, almejou por balsamo consolador...

Eis que vê surgir do sul, contemplou aurora de cor azul, em silêncio fez uma oração, o peito cheio de gratidão, por admirar desígnios da criação, transbordava o quanto era bom, todavia ainda praguejava, por não ter companheiro de jornada.

No horizonte, ainda que de longe, a sintonia logo sentiu, mal pode crer quando o viu, e sorriu. Um diálogo de boca fechada, não houve sequer uma palavra, tudo foi dito com o olhar. Assim depois de tanto tempo, madrugadas de tanto tormento, pela primeira vez não se sentiu só, foi o melhor, tão bom assim parecia, algo sublime ali nascia, enchendo o peito de alegria.

Ambos em pensamento, olhando pro firmamento, admirando beleza de Gaia e desejando que aquilo tudo não fosse sonho, se fosse que não acordassem, pois vida assim tão singela, como uma pintura em aquarela, colorindo tudo e todos, que perto deles se encontravam.

Batizaram então de amor, por ser oposto a toda dor, semente plantada por mãos leves, almejando que se cuide e se regue, Fazendo germinar exótica flor.

Pra quando a jornada terminar, para o leste ela vai voltar, levando consigo a lembrança, validada em esperança, daquela tarde no solar....


Vazia por não ter

Que fazes de mim
Quando me ama assim
Presente em meu ser
Sorrindo ao amanhecer

A vida que sem sentido
Antes de você chegar
Vazia por não ter
Sua boca para beijar

Quando indaguei
Porque existirei?
A resposta que não veio
E me deixou com receio

Mas antes do por do sol
Quando já olhado com dó
Por um grande amor não ter
Você veio pra me erguer

Um pouco ingênua confesso
Fez tentativas sem sucesso
De meu amor despertar
Sem êxito ao tentar

E quando menos esperava
Esta áspera couraça
Tão dura e desacreditada
Confiou em sua amada

Hoje em festa o meu ser
Que já não pensa em padecer
Enfim desfrutou de calma
E se entregou de corpo e alma

Amor de verdade senti
Com você vou dividir
Num caminho só de ida
A longa jornada da vida